Já em sua sala, com a luz ligada e com os colegas curiosos passando com cara de relativa infelicidade referente a atual situação da rede, ele veste os sapatos, apaga a luz e tranca a porta, troca de camisa, acende a luz, destranca a porta, ajeita a gravata olhando-se na webcam. Pronto. Um perfeito profissional, pronto para resolver os problemas das mais complexas redes de comunicação.
Deixa os papéis em cima de sua mesa e segue rumo a sala da coordenação. Ao chegar constrange-se com as reclamações referentes ao não funcionamento da rede e solicita que algum funcionário que tenha acesso ao claviculário ou as chaves da sala de servidores se apresente o quanto antes para que o problema seja solucionado, e assim, retorna a sua sala.
Em menos de cinco minutos um sugeito alto, robusto, praticamente um sumério bate a sua porta - as batidas mais pareciam com alguém tentando derruba-la a golpes de machado -, então, encolhido em sua cadeira informa: "- A porta está aberta, não precisa derruba-la!"
A porta é aberta e a terrível criatura ergue um de seus braços e exibe um imenso molho de chaves, então pergunta: "- Qual é o número da sala?" ele desconhecia a resposta, "- Qual é a cor e a letra da etiqueta da porta?", questão também desconhecida por Johan, mas havia o mapa em sua mesa, em preto e branco, e também não haviam etiquetas ou numeração de portas.
Decidiu-se que a bárbara criatura desceria acompanhando o administrador. A constituição animalesca contrastava com o frágil corpo, e ambos dirigiam-se ao elevador que bravamente suportaria tanto peso sem demonstrar qualquer falha em seu funcionamento.
Ao chegar em frente a sala, a temível criatura puxou novamente o molho de chaves, balançando-as no ar provocando um angustiante ruído, sequenciado pelo eco dos corredores vazios. "- L, Setor Laranja..", procura então a chave, "- L, Setor Verde, V laranja, J laranja, O verde, hum..", mas não localizava a chave. "- Quem sabe no claviculário da sala ao final do corredor?" Interfere o administrador.
Então inicia-se uma série de pavorosas gargalhadas, monstruosas, horrendas. A criatura chegava a babar de tanto gargalhar. Não bastando colocar as mãos na barriga, ajoelhando-se, até quase agachar-se. "- Céus.." O pavor tomou conta de Johan e como um animal acuado buscou refúgio no canto da sala, enquanto apertava freneticamente o botão do elevador. "- 6o. andar, droga.."
As gargalhadas não cessaram, os olhos da temível criatura cerraram-se por alguns instantes, quando então Johan decide correr em direção as escadas de emergência, e o faz, correndo o mais rápidamente possível. O som das gargalhadas ecoavam de torma tenebrosa nos corredores do subsolo três. E as lâmpadas se ascendendo e apagando a cada três passos tornava o clima mais assustador possível.
Ao chegar então na porta das escadas de emergência uma enorme sombra foi percebida aproximando-se, juntamente do ascender e apagar das luzes - ele estava correndo na direção de Johan, que por sua vez não espera o lunático bárbaro aproximar-se e inicia sua subida pelas escadarias mal iluminadas de emergência..
Insatisfação pessoal, angústia, raiva, medo, o poder sobre as trevas visto de uma forma mais humana e racional do que pode ser imaginado. A corrupção, o desvio de caráter, todas alterações psicológicas que um ser humano pode sofrer se submetido a pressão, a desmotivação e a humilhação. A simples decadência tomando conta, ou não..
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coitadinho tdo q ele queria era uma chave
ResponderExcluir=~~